"A Comissão Política deliberou programar uma reunião para imediatamente após o conhecimento do acórdão do Tribunal Constitucional", anunciou o PAICV num comunicado.
A reunião realizada na terça-feira teve como principal objetivo avaliar a situação interna do partido, após a decisão do Tribunal Constitucional de suspender o ato eleitoral que estava previsto para domingo.
O órgão também solicitou que depois do conhecimento do acórdão do TC, seja marcada "uma reunião extraordinária do Conselho Nacional para definir a nova data do ato eleitoral e do congresso".
No comunicado, referiu que as quatro candidaturas à liderança do partido têm dinamizado o debate interno, apesar de algumas falhas registadas ao longo do processo.
Além disso, defendeu que se "deve aguardar com serenidade e responsabilidade a decisão do Tribunal Constitucional, sem alarmismos e precipitações".
A Comissão Política apelou ainda à calma dos militantes e ao respeito pelas decisões institucionais, apontando que esta é uma disputa interna e deve decorrer com elevação e espírito de camaradagem.
As lideranças das candidaturas foram instadas a assumir um papel pedagógico junto dos seus apoiantes para garantir a coesão do partido.
O Tribunal Constitucional decidiu, num acórdão divulgado na sexta-feira, "suspender a realização das eleições diretas para a escolha do presidente do PAICV e dos delegados ao XVIII Congresso, marcadas para 30 de março de 2025", bem como a execução da deliberação do partido, de 23 de março, "que admitiu a candidatura do militante Francisco Carvalho".
Francisco Carvalho é um dos quatro candidatos à liderança, a par de Nuías Silva, presidente da Câmara de São Filipe, Francisco Pereira, deputado pelo círculo da Europa, e Jorge Spencer Lima, empresário e presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde.
Analistas disseram na quinta-feira à Lusa que o partido tem sido impulsionado pela vitória histórica nas autárquicas de dezembro, onde conquistou 15 dos 22 municípios, e que a escolha de um novo líder definirá o candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2026.
O "apetite" pela corrida interna aumentou -- em 2021 houve apenas um candidato --, mas devem ser evitadas "fricções" prejudiciais ao PAICV e, possivelmente, à própria democracia do arquipélago, alertaram.
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