"Estamos a dividir a Faixa de Gaza [em parcelas] e a aumentar a pressão passo a passo, para que eles (o Hamas) nos devolvam os nossos reféns", afirmou Netanyahu num vídeo divulgado pelo seu gabinete.
"O Exército está a tomar território, a atacar os terroristas e a destruir as infraestruturas", acrescentou, anunciando também a criação de um novo eixo sob controlo israelita para separar as cidades de Khan Yunis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
"E quanto menos eles cederem, mais a pressão aumentará até que o façam", disse Netanyahu sobre o Hamas, que ainda mantém 59 reféns em cativeiro em Gaza, prosseguiu o chefe do executivo israelita no vídeo.
Segundo o primeiro-ministro israelita, o Exército ocupou o "corredor de Morag", uma faixa que atravessa o território palestiniano de leste a oeste sobre a cidade de Rafah, para dividir o sul do enclave como já fez no centro, com o corredor de Netzarim.
Netanyahu afirmou que Morag se transformará num "segunda [corredor de] Filadélfia", numa referência à parcela de território que separa a Faixa de Gaza do Egito, ocupada pelas tropas israelitas, cuja permanência indefinida ali defende.
O corredor de Morag, que recebeu o nome de um colonato israelita em Gaza (desmantelado durante o plano de retirada unilateral de 2005), situa-se acima da cidade de Rafah, isolando-a assim da outra grande cidade do sul do enclave, Khan Yunis.
Assim, Israel controla na Faixa de Gaza três corredores, com os quais cortou o território palestiniano: o corredor de Netzarim, que isola o norte e a cidade de Gaza; o corredor de Morag, que abrange o centro da Faixa e a cidade meridional de Khan Yunis; e o corredor de Filadélfia, o limite sul do enclave, sobre o qual Rafah ficou encurralada.
A 31 de março, Israel ordenou a evacuação da cidade de Rafah, bem como de algumas zonas circundantes próximas da fronteira com Khan Yunis. Dias antes, tinha obrigado à deslocação da população do bairro de Tal al-Sultan, também em Rafah.
Apenas cerca de 50.000 pessoas (das cerca de 250.000 que viviam em Rafah antes da guerra) tinham regressado às suas casas durante o cessar-fogo, que Israel quebrou com uma vaga de bombardeamentos na madrugada de 18 de março.
As ordens de evacuação israelitas começaram por deslocar cerca de 10.000 pessoas de Tal al-Sultan e, as de segunda-feira, obrigaram à saída de mais 40.000 pessoas de Tal al-Sultan, indicou o gabinete do presidente da câmara.
As ordens israelitas de deslocação da população em Gaza, juntamente com as zonas "proibidas", onde Israel exige que qualquer movimento de organizações humanitárias seja coordenado com o Exército, abrangem 52% da Faixa de Gaza, segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
Por seu lado, cerca de 50 reféns do Hamas libertados e familiares de prisioneiros israelitas ainda em Gaza publicaram uma carta aberta apelando para "o fim dos combates e ao reinício das negociações".
"A pressão militar está a pôr em perigo os reféns, e não há nada mais urgente do que o regresso de todos os reféns", sustentam os cerca de 150 signatários deste texto divulgado antes da mensagem de vídeo de Netanyahu.
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