"O pessoal médico e os trabalhadores humanitários e de emergência devem ser protegidos por todas as partes em conflito em todos os momentos, conforme exigido pelo direito internacional humanitário. Desde outubro de 2023, pelo menos 408 trabalhadores humanitários foram mortos em Gaza, pelo menos 280 dos quais eram funcionários da ONU", frisou o porta-voz, Stephane Dujarric, em comunicado
O secretário-geral aproveitou para homenagear todos os trabalhadores humanitários que foram mortos neste conflito e exigiu uma investigação completa e independente a estes incidentes.
As forças israelitas admitiram que dispararam contra ambulâncias na Faixa de Gaza em 23 de março, depois de considerarem os veículos suspeitos, enquanto o Hamas considerou este ataque um "crime de guerra".
O chefe de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) no Território Palestiniano, Jonathan Whittall, descreveu hoje ao pormenor a missão que coordenou recentemente em Rafah em que descobriu uma vala comum com os corpos desses 15 profissionais de saúde abatidos pelas forças israelitas.
"Decidi não medir as palavras (...) Foi chocante vivenciar isto. Eram profissionais da área médica (...) ainda fardados e de luvas. Foram mortos enquanto tentavam salvar vidas. Estavam a ser enviados para Rafah enquanto as forças israelitas avançavam na área. As ambulâncias foram atingidas uma a uma ao entrarem em Rafah. As valas onde os encontrámos estavam marcadas pelas luzes de emergência de uma das ambulâncias", contou Whittall, num 'briefing' aos jornalistas, acompanhado pela Lusa.
"Todos foram esmagados pelas forças israelitas. Na zona onde encontrámos esta vala comum, as ambulâncias, o camião dos bombeiros e um veículo da ONU ficaram todos destruídos. Os corpos dos mortos foram enterrados na vala", acrescentou.
O exército israelita admitiu hoje que cobriu os corpos dos 15 paramédicos e socorristas que morreram nesse ataque "com pano e terra", alegando que o fizeram acreditando que o resgate iria demorar.
No comunicado, Guterres disse ainda que os bombardeamentos israelitas em grande escala e as operações terrestres resultaram numa destruição generalizada em Gaza e na deslocação de mais de 100.000 palestinianos de Rafah só nos últimos dois dias, tendo a maioria já sido deslocada várias vezes.
"O secretário-geral está profundamente alarmado com o número de vítimas humanas causadas pelas hostilidades intensificadas em Gaza. Condena os relatos de assassínios de mais de mil pessoas, incluindo mulheres e crianças, desde o colapso do cessar-fogo", acrescentou, defendendo que "a negação de ajuda vital tem de acabar".
Guterres renovou igualmente o seu apelo urgente para a restauração imediata do cessar-fogo, para a libertação de todos os reféns e para o acesso humanitário irrestrito em toda a Faixa de Gaza.
Israel declarou guerra ao movimento palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, na sequência de um ataque surpresa, em 07 de outubro de 2023, contra o sul de Israel e no qual morreram 1.200 pessoas e duas centenas foram feitas reféns.
As forças israelitas impuseram um cerco total ao enclave palestiniano e o conflito já causou mais de 50 mil mortos em Gaza, de acordo com números das autoridades locais.
O Hamas é classificado como um movimento terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, entre outros.
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