O líder político dos sérvios bósnios, Milorad Dodik, procurado pela justiça por alegadamente ter desrespeitado a Constituição da Bósnia, revelou, esta quarta-feira, que já está de regresso ao país, após uma visita a Moscovo, onde se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Saúdo toda a gente, com a declaração: Cheguei", disse Dodik à televisão pública RTRS, acrescentando que já estava em Banja Luka, capital do estado sérvio da Bósnia.
Na semana passada, Sarajevo enviou à Interpol um mandado de captura internacional para Dodik, bem como para o presidente do parlamento da Republika Srpska (RS) - uma das duas entidades autónomas da Bósnia - Nenad Stevandic, pelas suas violações da Constituição da Bósnia-Herzegovina.
O Tribunal da Bósnia e Herzegovina tinha um mandado de captura para ambos a 14 de março e decidiu posteriormente solicitar também um mandado de captura internacional.
Esta quarta-feira, o líder separatista adiantou que a Interpol rejeitou o pedido da Bósnia-Herzegovina para emitir um mandado de prisão internacional contra si.
Dodik revelou que recebeu um telefonema do presidente da Sérvia, o nacional-populista Aleksandar Vucic, que o informou que o recurso da Sérvia tinha sido aceite e que a Interpol tinha, portanto, recusado emitir o mandado de captura.
Na terça-feira, o Kremlin anunciou que Putin recebeu o líder dos sérvios bósnios. Já um dia antes, na segunda-feira, Dodik revelou que tinha chegado à capital russa, quatro dias depois de o sistema judicial bósnio ter emitido um mandado de detenção internacional contra ele.
Num vídeo nas redes sociais, Dodik elogiou "o líder histórico do povo russo", referindo-se a Vladimir Putin, e criticou "a elite globalista, que procurou fragmentar a própria Rússia".
O dirigente político é procurado pelo Ministério Público da Bósnia numa investigação por ataque à ordem constitucional, após uma série de ações separatistas levadas a cabo desde o final de fevereiro pelas instituições autónomas da Republika Srpska, a entidade dos sérvios bósnios.
A justiça bósnia, que pretende interrogá-lo no âmbito desta investigação, emitiu um mandado de detenção internacional na passada quinta-feira, na sequência de um outro à escala nacional, em 18 de março.
No entanto, isto não impediu Dodik de viajar para a Sérvia e depois para Israel, onde participou numa conferência sobre antissemitismo.
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