Hamas e Jordânia criticam visita de ministro israelita a local sagrado do Islão

O ministro da Segurança Nacional e figura da extrema-direita israelita, Itamar Ben Gvir, visitou hoje a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, setor ocupado e anexado por Israel, suscitando fortes críticas por parte do Hamas e da Jordânia.

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© Getty Images

Lusa
02/04/2025 14:14 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Médio Oriente

Segundo um porta-voz israelita, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP), trata-se da primeira visita ao local de Ben Gvir desde o seu regresso, a 19 de março, ao governo de Benjamin Netanyahu, que tinha abandonado a 19 de janeiro em protesto contra a trégua estabelecida com o grupo extremista palestiniano Hamas.

 

Desde a formação do governo de Netanyahu, no final de 2022, Ben Gvir visitou pelo menos oito vezes este local disputado na Cidade Velha de Jerusalém, gerando sempre uma onda de indignação internacional.

Terceiro local mais sagrado do Islão, a Esplanada das Mesquitas foi construída sobre as ruínas do Segundo Templo judaico, destruído no ano 70 pelos romanos. Para os judeus, trata-se do Monte do Templo, o local mais sagrado do judaísmo.

O rabinato proíbe os fiéis de se deslocarem à Esplanada, por receio de profanação, mas Ben Gvir faz questão de visitar o local para reafirmar o que considera ser a soberania israelita sobre o espaço, situado no centro do conflito israelo-palestiniano e palco de tensões recorrentes.

Em Gaza, o grupo extremista Hamas considerou a deslocação do ministro da extrema-direita israelita como "uma provocação e uma escalada perigosa".

Por seu lado, em Amã, a Jordânia, país que é o "guardião" dos lugares sagrados muçulmanos de Jerusalém incluindo a Esplanada das Mesquitas, também condenou a visita de Ben Gvir, denunciando-a como "uma escalada perigosa" e uma "provocação inaceitável".

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros jordano condenou "a invasão da Mesquita de Al-Aqsa pelo ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, hoje, sob proteção da polícia de ocupação", denunciando uma "escalada perigosa", uma "provocação inaceitável" e uma "violação do caráter sagrado da Mesquita de Al-Aqsa e do seu 'status quo' histórico".

Questionado sobre as razões e a data da visita, um porta-voz do ministro israelita afirmou: "[Ben Gvir] foi porque o local reabriu [para não muçulmanos] após 13 dias", período durante o qual o acesso foi reservado aos muçulmanos para o final do Ramadão e a festa do Eid El Fitr, que assinala o término do mês do jejum.

Nos termos do 'status quo' estabelecido após a conquista de Jerusalém Oriental por Israel em 1967, os não muçulmanos podem visitar a Esplanada das Mesquitas em horários específicos, sempre sob vigilância policial, e qualquer oração ou culto religioso é proibido.

A visita de Ben Gvir acontece num contexto de retoma dos bombardeamentos e da ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza, desde 18 de março, após quase dois meses de trégua entre as forças de Telavive e o Hamas.

A este propósito, o ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, anunciou hoje a ampliação das operações militares no sul do enclave, com o objetivo de Israel se apoderar de "vastas áreas" do território, "que serão anexadas às zonas de segurança" do país.

"A Operação 'Força e Espada' está a expandir-se, com uma retirada em grande escala da população de Gaza das zonas de combate, esmagando e limpando a área de terroristas e infraestruturas terroristas", disse Israel Katz, num comunicado.

O anúncio foi feito após uma onda de ataques a postos avançados do sul de Khan Yunis e Rafah durante a noite, de acordo com relatos dos meios de comunicação palestinianos.

Os ataques contra a parte sul do enclave controlado pelo Hamas têm vindo a intensificar-se desde segunda-feira, quando o exército israelita ordenou novas retiradas na zona de Rafah, antes de efetuar mais bombardeamentos.

De acordo com o autarca de Rafah, quase 40 mil pessoas, com bicicletas, carros e reboques carregados com os seus pertences, abandonaram a zona fronteiriça com o Egito na segunda-feira.

As forças israelitas mataram 1.042 pessoas na Faixa de Gaza desde que retomaram as operações militares, a 18 de março, anunciou na terça-feira o Ministério da Saúde do enclave, tutelado pelo Hamas.

Com as novas vítimas, o balanço da guerra entre Israel e o Hamas subiu para 50.399 mortos.

Leia Também: Milhares de muçulmanos preparam-se para celebrar fim do Ramadão

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