"É inconcebível que os portugueses culpem o Governo pela instabilidade política mas, ao mesmo tempo, vão votar nesse mesmo Governo que causou a instabilidade política. Portanto, eu acho que vai haver um cartão vermelho ao Governo, porque foi o Governo que causou estas eleições com esta irresponsabilidade", afirmou.
André Ventura falava aos jornalistas antes de uma visita à esquadra da PSP na Parede, concelho de Cascais e distrito de Lisboa, onde chegou mais de meia hora depois do horário comunicado aos jornalistas.
O líder do Chega indicou também que na campanha eleitoral vai tentar "demonstrar que o Chega merece uma oportunidade para governar" e defendeu que as sondagens "mostram que o Chega vai ser o partido decisivo destas eleições".
"Visto que PS e PSD já governaram tão mal, sempre, e tiveram sempre uma oportunidade, ou PS ou PSD, eu acho que é tempo de dar a outro uma oportunidade de governar", defendeu.
Ventura considerou igualmente que "as pessoas que querem que o PS se entenda com o PSD, é porque têm medo que o Chega chegue ao Governo" e afirmou que "o Chega não estaria a fazer o seu papel antissistema se fosse aceite pelos partidos antissistema e não fosse rejeitado por eles".
O presidente do Chega salientou que o seu partido foi "coerente, porque desde o início disse que tinha que haver explicações, ou então este Governo não tinha condições para continuar".
"Não foi o PS que apresentou nenhuma moção de censura, não foi o PS que disse que este Governo tinha que dar explicações e que enviou perguntas para o Governo, foi o Chega. E eu acho que as pessoas reconhecem isso", afirmou.
O líder do Chega insistiu também que "o primeiro-ministro está nestas eleições por suspeitas que recaem sobre ele, e só sobre ele, que ele não conseguiu explicar".
Nesta ocasião, Ventura indicou também que a deputada Cristina Rodrigues vai voltar a integrar as listas de candidatos a deputados do Chega, mesmo tendo sido acusada pelo Ministério Público de um "crime de dano relativo a programas ou outros dados informático", e outro de "acesso ilegítimo" aos ficheiros informáticos do PAN, partido a que já pertenceu e pelo qual foi eleita deputada pela primeira vez.
"Se os portugueses acharem que um partido acusar uma funcionária ou uma deputada de apagar e-mails é o mesmo que andar a gamar o erário público, estamos conversados", disse.
"Eu não vou ter nas minhas listas, nas listas do Chega, pessoas que roubaram dinheiro aos contribuintes, pessoas que envolveram em atos de corrupção, pessoas que usaram o dinheiro público para ser o enriquecimento pessoal, pessoas que cometeram crimes de sangue, crimes de integridade física", indicou, voltando a fazer uma distinção entre crimes.
Ainda sobre as eleições legislativas de 18 de maio, André Ventura criticou algumas empresas de sondagens, considerando que apresentam "resultados absolutamente desfasados da realidade" com o propósito de "condicionar os eleitores e condicionar a atividade política".
"Nós não podemos ter uma sondagem de 14 e outra de 18 ou de 20 um dia depois, quer dizer, não é razoável, e acho que todos têm que fazer o seu trabalho em relação a esta matéria, sobretudo quando se sabe que há empresas de sondagem que têm ligações diretas aos partidos, sobretudo ao PSD", defendeu.
Questionado sobre a candidatura do ministro dos Assuntos Parlamentares à presidência da Câmara do Porto, o líder do Chega afirmou que Pedro Duarte "sempre esteve com os olhos postos" naquela autarquia e "era um governante a meio termo".
[Notícia atualizada às 18h47]
Leia Também: Ventura considera que protocolo vai aumentar imigração "desnecessária"